Comprar, alugar ou assinar um carro: quando faz sentido, e quando não
O erro mais comum
O erro mais comum ao escolher um carro não é a opção em si. É comparar parcela, aluguel ou mensalidade como se todos rodassem igual.
→ Ir direto para a calculadora
O erro não é escolher comprar, alugar ou assinar. O erro é usar a mesma lógica para quem roda pouco e para quem roda muito.
Quilometragem não é detalhe operacional.
Ela define qual custo pesa, qual risco existe e qual opção começa a dar prejuízo sem o leitor perceber.
Quando a decisão começa pela parcela, quase sempre termina cara.
Carro é custo por uso. E uso, no mundo real, é quilometragem.
Sem separar perfis, qualquer comparação fica distorcida, e a chance de errar aumenta.
Dois perfis que não podem ser comparados
Misturar esses dois perfis invalida qualquer conta.
Pessoa comum
- Quilometragem típica: 800 a 1.200 km/mês
- O que mais pesa: previsibilidade e conveniência
- Erro comum: decidir pelo valor mensal “que cabe no bolso”, ignorando o custo total
Para quem roda pouco, custos fixos dominam. O impacto do km rodado é menor.
Motorista de app
- Quilometragem típica: 4.000 a 5.000 km/mês (ou mais)
- O que mais pesa: custo por km e depreciação
- Erro comum: aceitar limites de km ou custos marginais altos
Para esse perfil, previsibilidade mensal não compensa se o custo por km for alto.
A decisão correta não é a que “organiza o mês”, mas a que sobrevive ao volume.
Aqui, cada km conta. O carro é ferramenta de trabalho.
Ignorar depreciação e custo variável é perder dinheiro.
Esses perfis não são comparáveis. Usar a mesma lógica para ambos leva à decisão errada.
Comprar, alugar e assinar: o que realmente muda
Comprar um carro
- Custo total: entrada + parcelas + manutenção + seguro − valor de revenda
- Custo por km: tende a cair quanto mais se roda
- Previsibilidade: média
- Limites ocultos: depreciação mal estimada
Comprar transfere risco para quem compra, mas dilui custo quando o uso é alto.
→ Para quem roda muito, costuma ser a única opção que fecha conta no longo prazo.
Alugar um carro
- Custo total: mensalidade + combustível + eventuais excessos
- Custo por km: competitivo só até certo limite
- Previsibilidade: alta
- Limites ocultos: franquia de km e custo extra por km
O aluguel faz sentido quando:
- a quilometragem é moderada
- o prazo é curto ou incerto
Ultrapassar a franquia transforma previsibilidade em custo invisível.
Assinar um carro
- Custo total: mensalidade “tudo incluso”
- Custo por km: aceitável apenas com baixo uso
- Previsibilidade: muito alta
- Limites ocultos: franquia rígida de km e custo marginal elevado
Regra clara
Assinatura não se aplica a motorista de app.
Não por perfil, preferência ou estratégia — por custo marginal e franquia de km.
Não é questão de preferência. É matemática.
Franquias baixas e custo por km excedente tornam o modelo inviável para quem roda muito.
Onde a maioria perde dinheiro
Os erros se repetem:
- Ignorar quilometragem real
- Ignorar o valor de revenda
- Ignorar custos variáveis (manutenção, pneus, desgaste)
- Decidir pelo valor mensal
Quem compara só o “quanto paga por mês” decide sem ver metade da conta.
É exatamente aqui que uma simulação correta faz diferença.
→ Como evitar decisões financeiras erradas
Simule no seu cenário real
Comparar parcela, aluguel ou mensalidade não resolve a decisão.
Esta simulação existe para mostrar o que normalmente fica fora da conta.
- quilometragem mensal
- custos fixos e variáveis
- custo por km
- valor de revenda
Nota: O valor informado para compra considera pagamento à vista.
Se houver financiamento, o custo correto é a soma de todas as parcelas do contrato, incluindo juros, pois é esse total que deve ser comparado às demais opções.
Exemplos práticos (sem calculadora)
Os números abaixo são arredondados e servem para mostrar tendência, não precisão.
Cenário A — Pessoa comum
- Uso: 1.000 km/mês
- Assinatura: R$ 3.200/mês, franquia ok
- Compra: custo total estimado de R$ 2.600/mês (já considerando revenda)
→ Assinatura pode fazer sentido se o objetivo for previsibilidade e zero gestão.
Cenário B — Motorista de app
- Uso: 4.500 km/mês
- Assinatura: franquia estourada → custo explode
- Aluguel: custo por km começa a pesar
- Compra: custo por km cai com o uso
→ Comprar costuma ser a única opção viável no longo prazo.
Plataformas como Uber e 99 exigem alto volume.
O modelo precisa aguentar isso sem penalizar cada km.
Regras de bolso
Sem hype, sem promessa. Regras práticas:
- Até ~1.000 km/mês: assinatura pode fazer sentido
- Entre ~1.500 e 3.000 km/mês: aluguel exige conta cuidadosa
- Acima de ~4.000 km/mês: aluguel e assinatura tendem a perder sentido
- Motorista de app: comprar costuma ser a única opção que fecha conta
A decisão correta começa quando o custo deixa de ser mensal e passa a ser por km.
A calculadora existe para isso — não para convencer, mas para evitar erro.
Se a conta não for feita por km, ela quase sempre será feita tarde demais.
Centro de decisão: comprar, alugar ou assinar um carro
Se a decisão ainda não está clara, o próximo passo não é acumular mais explicações — é testar o seu cenário real.
→ No Centro de Decisão do Simchen, reunimos guias, comparações e simuladores práticos para avaliar custo total, custo por km e erro de decisão antes de escolher entre comprar, alugar ou assinar um carro.






