Caixinhas e Cofrinhos: o que são, como funcionam e onde está o risco
Caixinhas, cofrinhos e “saldos que rendem” viraram padrão nos aplicativos de bancos e fintechs. A promessa é simples: separar dinheiro e receber rendimento diário, geralmente atrelado ao CDI.
O problema começa quando essa embalagem passa a ser tratada como se fosse um produto financeiro em si.
Esta página existe para esclarecer uma decisão comum: guardar dinheiro com liquidez diária usando caixinhas/cofrinhos — entendendo o ativo real por trás, as regras que afetam o rendimento e o nível de proteção envolvido.
Não é um ranking. Não é recomendação. É um mapa para evitar erro.
Cofrinho ou caixinha não é produto financeiro
Cofrinho e caixinha são interfaces. São nomes comerciais de investimentos para organizar dinheiro dentro de um app.
O que define risco, rendimento e proteção não é o nome, mas sim o ativo que remunera aquele saldo.
Na prática, por trás dessas embalagens existem três estruturas principais:
- CDB – Renda Fixa
- Saldo remunerado
- Fundos de renda fixa
Confundir essas estruturas é o erro mais comum — e o mais caro.
Estrutura 1: CDB (com FGC)
Quando a caixinha ou cofrinho aplica o dinheiro em CDB, o rendimento vem de um título emitido por um banco.
Características essenciais
- Rentabilidade atrelada ao CDI
- Proteção do FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição
- Liquidez pode ser diária ou com prazo (depende do CDB usado)
Nesse modelo, o risco principal é do banco emissor, mas existe a cobertura do FGC dentro dos limites legais.
É comum esse tipo de estrutura aparecer em caixinhas de bancos digitais, inclusive como “reserva” ou “objetivo”.
→ Segurança dos investimentos: o que o FGC protege – e o que não protege
Estrutura 2: Saldo remunerado (sem FGC)
Aqui, o dinheiro não vira CDB. Ele permanece como saldo na conta, sendo remunerado por decisão da própria instituição.
Características essenciais
- Rendimento condicionado a regras internas
- Sem proteção do FGC
- Pode ter teto de valor remunerado
- Pode exigir movimentação mensal ou assinatura de serviço
Esse modelo é frequente em fintechs de pagamento e carteiras digitais. O rendimento divulgado costuma chamar atenção, mas a proteção é menor.
Se a instituição tiver problemas, o saldo não é tratado como investimento protegido — é apenas um crédito contra a empresa.
Estrutura 3: Fundos de renda fixa (sem FGC)
Algumas caixinhas direcionam o dinheiro para fundos de renda fixa, geralmente conservadores, mas ainda assim fundos.
Características essenciais
- Patrimônio separado da instituição
- Sem FGC
- Sujeito a taxa de administração
- Pode ter variação diária (mesmo que pequena)
Aqui, o risco não é de crédito bancário, mas de mercado e de gestão. Para valores baixos e curto prazo, muitas pessoas nem percebem essa diferença — até precisar do dinheiro num dia ruim.
O papel real do FGC (e seus limites)
O Fundo Garantidor de Créditos protege depósitos e CDBs até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com teto global.
O que isso significa na prática:
- Só vale para CDB e produtos elegíveis
- Não cobre saldo em conta, fundo ou carteira digital
- Não elimina risco, apenas limita o prejuízo
Tratar qualquer “saldo que rende” como se tivesse FGC é um erro de leitura da estrutura.
Por que o rendimento anunciado quase sempre tem condições
Percentuais como “110%”, “115%” ou “120% do CDI” raramente são livres.
Na prática, eles costumam depender de:
- Aporte mínimo mensal
- Movimentação recorrente da conta
- Assinatura de serviços
- Limite máximo de valor remunerado
- Prazo promocional
Ignorar essas condições leva a uma expectativa de rendimento que não se concretiza.
Exemplos reais de modelos existentes no mercado
Os nomes abaixo aparecem apenas como ilustração estrutural, não como recomendação.
- Nubank
Utiliza caixinhas que podem aplicar em CDBs ou fundos, com rendimento condicionado ao tipo de caixinha e regras da conta. - Mercado Pago
Opera com saldo remunerado e estruturas híbridas, frequentemente com exigência de movimentação mensal ou assinatura. - PicPay
Modelo baseado em saldo remunerado, com regras de valor máximo e condições para manter o rendimento. - 99Pay
Costuma divulgar percentuais elevados do CDI, mas sem FGC e com limites claros de valor e elegibilidade.
Esses exemplos mostram como o mesmo nome (“cofrinho”, “caixinha”) esconde estruturas radicalmente diferentes.
Onde as pessoas erram ao usar caixinhas e cofrinhos
Os erros mais comuns não estão no produto, mas na leitura superficial:
- Comparar apenas o percentual do CDI
- Ignorar se há FGC
- Não ler o teto de valor remunerado
- Assumir liquidez total sem checar regras
- Tratar saldo como investimento garantido
O resultado é frustração ou exposição a risco não percebido.
Quando caixinhas fazem sentido — e quando não
Fazem sentido quando:
- O objetivo é liquidez diária
- O valor é compatível com o risco
- As regras são claras e aceitáveis
- O usuário entende a estrutura por trás
Não fazem sentido quando:
- O dinheiro é de longo prazo
- O rendimento depende de condições difíceis de manter
- A proteção é menor do que o usuário imagina
- A decisão foi tomada só pelo percentual anunciado
→ Poupança x Alternativas de investimentos seguros
Sobre os cofrinhos e caixinhas
Caixinhas e cofrinhos não são investimentos milagrosos.
São embalagens práticas, úteis em alguns contextos, perigosas em outros.
Antes de olhar para o CDI prometido, é preciso responder três perguntas simples:
- Qual é o ativo por trás?
- Há FGC ou não?
- Quais regras condicionam esse rendimento?
Rendimento percentual não define qualidade.
Liquidez, risco e regras importam muito mais.
O objetivo aqui não é maximizar ganho pontual — é evitar erro de decisão.






